Feminismo e femismo


Pedro Menezes
Revisão por Pedro Menezes • Professor de Filosofia
Escrito por Emerson Machado

O feminismo é um movimento político, filosófico e social que busca a igualdade de direitos entre homens e mulheres. É muito confundido com o femismo, um comportamento que prega a superioridade da mulher em relação aos homens e seria equivalente ao machismo, mas inverso.

O que é feminismo?

O movimento feminista surgiu na Europa do século XIX, tendo sido consequência da Revolução Francesa, que pregava “Igualdade, Liberdade e Fraternidade”.

Neste sentido, as mulheres tinham o desejo de ser inseridas no contexto social em que se encontravam, participando das mudanças que estariam por vir.

No entanto, foi apenas no século XX que o ocidente passou a reconhecer mais o feminismo. Isto porque o monopólio dos homens em posições de poder passou a ser questionado, uma vez que as mulheres também desejavam e seriam capacitadas para ocupar tais posições.

Apesar de muito utilizado erroneamente no sentido de que as mulheres pregam a superioridade do sexo feminino, o termo feminismo designa a luta pela equidade entre ambos os gêneros.

O termo "equidade" é utilizado pelo feminismo por se tratar de um conceito mais abrangente que a "igualdade".

A equidade pressupõe que todos possuam o mesmo poder dentro da sociedade e que para isso, sejam respeitadas as diferenças inerentes aos indivíduos. Com isso, a mudança social necessita que todos e todas tenham mesma relevância dentro da sociedade com suas particularidades sendo respeitadas.

A compreensão sobre os modos para a conquista dessa equidade difere, dando origem a diversas correntes correntes de pensamento no todo que convencionou-se chamar de feminismo.

Há quem defenda a ideia de que existam "feminismos", no plural. Cada corrente possui suas especificidades e sua própria pauta de discussão, também chamada de agenda.

Alguns exemplos de feminismos são:

  • Feminismo Interseccional
  • Feminismo Negro
  • Feminismo Cristão
  • Feminismo Radical
  • Feminismo Marxista
  • Feminismo Liberal
  • Feminismo Lésbico
  • Feminismo Libertário
  • Transfeminismo

Já, a crença em uma superioridade feminina é chamada de femismo.

O que é o femismo?

O femismo é também conhecido como misandria. É considerado o equivalente feminino do machismo e da misoginia (ódio às mulheres), o femismo prega a superioridade das mulheres sobre os homens.

Com a mesma linha machista, o femismo é um comportamento pautado por preconceitos e generalizações acerca do gênero masculino, marcado por pessoas que costumam desvalorizar e fazer comentários agressivos sobre e para os homens.

O femismo é confundido muitas vezes com o feminismo, que é uma palavra usada para designar algo completamente diferente.

A luta pela igualdade de direitos e deveres entre os gêneros ou por equidade não é uma pauta femista, que acreditam na simples superioridade da mulher em relação ao homem dentro da sociedade. Busca-se a extinção da cultura patriarcal vigente através de sua substituição por uma cultura matriarcal.

Conquistas do feminismo

Feminismo, direitos da mulher

O feminismo é responsável pelas conquistas de diversos direitos das mulheres, como o de estudar. Este direito só foi garantido às mulheres brasileiras em 1827, mas apenas o ensino básico.

O ingresso em cursos superiores só foi permitido em 1879. No entanto, as que chegavam à faculdade eram criticadas e vítimas de assédio, o que ainda acontece hoje em dia.

Outra das principais realizações foi o direito ao voto, que no Brasil só foi dado às mulheres em 1932. No entanto, naquela época, só podiam votar mulheres casadas e com autorização do marido. Restrições que foram eliminadas do Código Eleitoral brasileiro em 1934.

No entanto, o voto só passou a ser obrigatório para as mulheres em 1946.

O feminismo também conseguiu que as mulheres tivessem o direito de "pertencer a si mesmas". Isto porque, no Brasil, até 1962 as mulheres precisavam de autorização do marido para trabalhar e/ou receber herança.

Além disso, a lei instituiu em 27 de agosto de 1962 que, em caso de separação, a mulher tem o direito de requerer a guarda dos filhos.

A Lei Maria da Penha (2006) protege a mulher contra violência doméstica e a Lei do Feminicídio (2015) classifica homicídios de mulheres como hediondos. E são conquistas feministas.

Por muito tempo, o machismo dominante reprimiu os direitos da mulher, inclusive à vida, um direito fundamental garantido pela Constituição.

Apesar de a pílula anticoncepcional ter revolucionado o feminismo nos anos 1960, quando a mulher passou a ter mais poder sobre a sua liberdade sexual, os direitos reprodutivos ainda são temas de debate.

O aborto voluntário, por exemplo, ainda é considerado um tabu. No Brasil, o aborto só é permitido em casos de risco para a mãe ou de fetos com anencefalia. Também pode ser interrompida a gravidez se for resultado de um estupro.

Veja também a diferença entre:

Pedro Menezes
Revisão por Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).