Machismo e feminismo


Pedro Menezes
Pedro Menezes
Professor de Filosofia

Machismo é um comportamento fundamentado na compreensão de que os homens são superiores às mulheres. O feminismo é um movimento social, político e filosófico que se opõe à essa concepção e visa a igualdade entre os gêneros.

O machismo baseia-se na cultura patriarcal que associa à figura do pai a uma liderança, que pode ser transposta para todas as áreas do desenvolvimento social. Assim, pela concepção machista, a mulher desempenha um papel de subalternidade em relação ao homem, servindo e obedecendo.

Entretanto, o feminismo tem em consideração que os indivíduos são iguais dentro de uma sociedade, não possuindo nenhum tipo de determinação biológica que imponha uma hierarquia.

O feminismo aponta para a necessidade de discussão sobre o desempenho destes papéis em vista da construção de uma sociedade mais justa. Opõe-se ao machismo, mas não é o seu contrário, não tem como objetivo a submissão dos homens.

O machismo sustentado pela dominação masculina busca desenvolver a ideia de diferenciação, hierarquização e submissão das mulheres. O feminismo visa a equidade (igualdade de direitos e respeito às diferenças identitárias) e a justiça social.

O que é machismo?

Machismo - Progapaganda sexista
Sexismo e objetificação da mulher são marcas do machismo

O machismo é o desenvolvimento de uma estrutura social que supervaloriza os atributos de masculinidade e os define como parâmetros para o desenvolvimento da sociedade. Estabelece um ideal de macho (daí "machismo"), toma-o como meta e impõe seu comportamento aos homens.

Deste modo, as mulheres passam a ser compreendidas como objeto e uma mera negação do conceito de homem (mulher = não-homem), retirando seu caráter subjetivo.

Por essa concepção, o machismo reforça o papel do homem como líder, determinado pela natureza ao desempenho de posições privilegiadas e de comando dentro da sociedade.

O que é feminismo?

Poster Sufrágio Inglaterra
Poster a favor do voto feminino na Inglaterra (c.1912) - "O que a mulher pode ser e ainda não tem o voto: prefeita, enfermeira, mãe, doutora ou professora, operária. O que o homem pode ser e ainda não perde o voto: condenado, louco, dono de escravos brancos, inapto para o trabalho, bêbado." (Tradução livre)

O feminismo apresenta-se como uma reação à dominação masculina desenvolvida ao longo da história. Busca alcançar direitos que possam tornar a sociedade mais igual para ambos os gêneros.

Possui fases distintas, tendo como marco inicial a revolução francesa e as mudanças que alteraram o papel social desempenhado pelas mulheres.

Em seu início, o movimento feminista estava relacionado à aquisição de direitos políticos e sobre a questão do direito ao trabalho.

No início do século XX, os movimentos feministas lutaram e obtiveram ganhos relevantes no que toca aos direitos políticos. Os diversos movimentos sufragistas alcançaram o direito ao voto e a participação política em todo mundo.

No Brasil, o voto feminino foi conquistado em 1932 e regulamentado em 1934.

Desde então, o feminismo passou por diversas períodos, tendo uma importante estruturação como movimento social a partir da publicação do livro O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir. As questões relacionadas à sexualidade tornam-se mais presentes.

Os movimentos feministas surgidos na década de 1990 mostram-se como uma importante luta por mudança social e igualdade entre os gêneros.

Atualmente, a luta das mulheres pode diferir em alguns de seus pontos, dando origem a diversas correntes de pensamento e de atuação.

Dentro dessa concepção, destacam-se:

  • Feminismo Interseccional
  • Feminismo Negro
  • Feminismo Radical
  • Feminismo Marxista
  • Feminismo Liberal
  • Feminismo Lésbico
  • Feminismo Libertário
  • Transfeminismo

Machismo e violência contra a mulher

Cuidado - o machismo mata
"Cuidado! O machismo mata"

Outra importante discussão acerca do machismo é a questão da violência de gênero.

A cultura patriarcal que fundamenta o machismo assume a visão da masculinidade como fonte de privilégios e base para a subordinação da mulher.

Assim, produz efeitos que são manifestados através da violência simbólica (objetificação do corpo feminino, submissão, subalternidade, desigualdade de direitos e acessos, etc.) e da violência física (estupro, assédio, violência doméstica, feminicídio, etc.).

Segundo o relatório divulgado em 2019 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública juntamente com o Datafolha:

  • 27,4% (16 milhões) das brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência num período de 12 meses;
  • 37,1% (22 milhões) das brasileiras da mesma faixa etária foram vítimas de assédio no mesmo período;
  • 76,4% das mulheres que sofreram violência afirmam que o agressor era alguém conhecido.

Em 2017, 1.133 mulheres foram vítimas de feminicídio (mortas por serem mulheres).

O Ligue 180 é uma linha para o atendimento e denúncia dos casos de violência contra a mulher.

Veja também a diferença entre:

Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).