Consumo e consumismo


Pedro Menezes
Pedro Menezes
Professor de Filosofia

O consumo é o ato de se apropriar de algo, tendo como fundamento uma necessidade. Já o consumismo tem como base o acúmulo de produtos, sobretudo artigos supérfluos, aquilo que é desnecessário ou dispensável.

O consumo, em geral, está relacionado como a sobrevivência e a subsistência. A alimentação (consumo de alimentos), por exemplo, é necessária para a preservação das espécies.

Assim, o consumismo é a extrapolação das necessidades, é o excesso direcionado à obtenção de prazer e à satisfação momentânea de um desejo de compra.

O que é consumo?

O consumo é a aquisição de suprimentos que saciem as necessidades básicas dos seres humanos. Desde o início dos tempos, a vida dos seres humanos possui uma relação entre produção e consumo.

Assim, a ideia do consumo está relacionada com uma ação individual. Cada indivíduo, precisa atender às suas necessidades e garantir a sua sobrevivência e, consequentemente, a sobrevivência da espécie.

A partir dessa ideia, o consumo é uma característica comum a todos, é um fator que une os indivíduos. Todos possuem necessidades comuns que precisam ser sanadas através do consumo.

Os padrões de consumo variam no tempo e culturalmente. Diferentes povos em diferentes momentos possuem suas próprias necessidades de consumo, por exemplo: alimentação, roupas, habitação. Esses produtos podem variar, mas é uma necessidade dos seres humanos em geral.

O que é consumismo?

O consumismo, diferentemente do consumo, está relacionado com a acumulação de bens que extrapolam a necessidade de subsistência. Está relacionado a um padrão de comportamento social que compreende a aquisição de bens como forma de identidade, diferenciação social e prazer.

O consumismo é compreendido como um impulso destinado á aquisição de bens, sobretudo, supérfluos, artigos de luxo e de pouca utilidade.

A história do consumismo

Segundo os estudos da história e da sociologia, o consumismo surge a partir da mudança dos modos de produção gerada pela revolução industrial. Com isso, toda a relação entre produção e consumo é reformulada.

A produção em larga escala, possibilitada pelos avanços técnicos, gerou uma maior facilidade para o consumo. Assim, um número menor de pessoas precisa produzir para que todos possam consumir.

Desse modo, a sociedade deixa de ser uma sociedade de produtores e passa a ser uma sociedade de consumidores. A produção de bens cada vez mais intensa exige que o consumo também seja cada vez mais intenso. Para isso, são criadas ferramentas para o estímulo ao consumo, dentre elas, a propaganda.

A propaganda cumpre um papel importante, estimulando as pessoas ao consumismo e associando produtos a modos de vida desejáveis.

Assim, o consumismo fundamenta-se em um processo chamado de reificação (coisificação) em que há uma inversão da relação sujeito-objeto. O indivíduo (sujeito), que antes consumia algo (objeto) por necessidade, passa a identificar a si mesmo através do seu padrão de consumo.

Os produtos perdem sua relação com a necessidade para atuarem como objetos de desejo. Assim, assumem em sua figura, a promessa de suprir outras necessidades que estão para além dos produtos como: ser visto, ser respeitado, ser admirado, ser desejado sexualmente, etc.

Logo, o consumismo retira dos seres humanos sua natureza e a associa aos bens de consumo, objetificando os indivíduos.

O poema Eu, Etiqueta, de Carlos Drummond de Andrade retrata uma das características principais do consumismo, a objetificação do indivíduo e sua identificação através de seu padrão de consumo:

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Pedro Menezes
Pedro Menezes
Licenciado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade do Porto (FPCEUP).