Preto, pardo e negro


Preto e pardo são dois dos cinco grupos de cor e raça definidos pelo IBGE, junto com brancos, amarelos e indígenas. 

O termo preto se refere aos nativos da África sub-saariana com pele de cor escura e seus descendentes nascidos na América, chamados de crioulos.

Por pardo, é entendido a pessoa que possui ascendência étnica de mais de um grupo, ou seja, mestiça. Essa miscigenação engloba tanto os mulatos (descendentes de negros com brancos), os cafuzos (descendentes de negros com indígenas) e os caboclos (descendentes de índios com brancos).

Já o conceito de negro é definido pelo Estatuto da Igualdade Racial como "o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam autodefinição análoga.".

Porém, esse conceito não é aceito por muitos coletivos negros. Um dos argumentos contrários à classificar pretos e pardos em um mesmo grupo é que pretos sofrem muito mais discriminação. Segundo a teoria do Colorismo, quanto mais escura a cor da pele de uma pessoa, maior o racismo sofrido em nossa sociedade.

Origem dos termos preto e pardo e uso no censo brasileiro

O termo pardo tem sua origem junto com a história do Brasil, sendo registrada por Pero Vaz de Caminha em 1500. Em sua carta ao rei de Portugal, ele descrevia os índios como pardos. Já em sua etimologia, a palavra deriva de "pardus", que significa leopardo em latim. 

Já o termo preto era utilizado na primeira metade do século XIX para designar os africanos, enquanto o termo crioulo era usado para os negros nascidos no Brasil. Posteriormente o termo preto passou a englobar tanto os africanos quanto seus descendentes. 

Tanto os termos preto e pardo foram utilizados já no primeiro censo brasileiro, realizado em 1872. No censo de 1890, o termo pardo foi substituído por "mestiço", mas voltou a ser utilizado no censo de 1940 e permanece em uso até hoje.

Quem é considerado preto ou pardo?

Segundo o pesquisador do IPEA Rafael Osório, existem três métodos de identificação racial:

  • Auto-atribuição de pertença ou autoidentificação: o próprio sujeito identifica o grupo ao qual se considera membro;
  • Hetero-atribuição de pertença ou heteroidentificação: outra pessoa identifica o grupo ao qual o sujeito pertence;
  • Identificação biológica: feita por meio de análise genética.

O sistema classificatório do IBGE utiliza simultaneamente os métodos da autoidentificação e heteroidentificação.

Veja agora as diferenças entre Racismo e Injúria Racial.